Noticias da Universidade Norte do Paraná - Nº 004 - Dezembro 2003

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Um passo adiante

"Atenas que nos espere"

Bicampeonato pan-americano dá a GR Brasileira o direito de sonhar com o primeiro pódio olímpico


Ginásio poliesportivo da Unopar, Jardim Piza, zona sul de Londrina, sábado 2 de agosto, perto de uma da tarde. A Seleção Brasileira Adulta de Ginástica Rítmica de Conjunto acabara de realizar o último treinamento antes do embarque para Santo Domingo. Diante de árbitros, imprensa e platéia, a equipe simulara, em condições de competição, as coreografias que havia ensaiado exaustivamente nos últimos oito meses. A técnica Bárbara Laffranchi, surpreenden-temente comedida, concede a enésima entrevista do dia: – As meninas estão muito bem preparadas. Se não cometerem nenhum erro, vamos ganhar a medalha de ouro. Mas o que interessa, para nós, é que o Pan é mais uma etapa na preparação para o Pré-Olímpico. Nosso objetivo maior é chegar às Olimpíadas.
Pavilhão de Ginástica do Parque Del Este, em Santo Domingo, capital da República Dominicana, 10 de agosto, Dia dos Pais, quase dez da noite. A Seleção Brasileira Adulta de Ginástica Rítmica de

  
   
   A delegação campeã pan-americana:da esq. para a dir.,
   Ana Maria Maciel, Natália Eidt, Fernanda Cavalieri,
   Dayane Camillo, Camila Ferezin, Bárbara Laffranchi,
   Thalita Nakadomari e Gabriela Andrioli.

Conjunto acabara de conquistar sua terceira medalha de ouro nos XIV Jogos Pan-Americanos, a principal competição esportiva entre nações das Américas. A equipe conquistara o bicampeonato pan-americano de conjunto e, de quebra, o ouro nos dois aparelhos em disputa: a fita e o arco e bola. A técnica Bárbara Laffranchi, eufórica, concede a enésima entrevista da noite: – As meninas estão de parabéns. Depois do erro no início da apresentação de arco e bola, achei que elas não iam segurar a onda. Demonstraram muita garra e maturidade. Estou orgulhosa. Atenas que nos espere!
As lágrimas das ginastas brasileiras na República Dominicana refletiam não apenas o delírio momentâneo de um grupo de adolescentes que optou por trocar uma infância de brincadeiras por exaustivos treinamentos, nos quais as palavras de ordem não são passeios e namoricos, e sim dedicação, disciplina e perseverança a toda prova.
Retratavam, também, a angústia de pais e mães, o trabalho qualificado de psicólogos e nutricionistas, de dirigentes e treinadores, de uma enorme equipe anônima que atua diuturnamente para proporcionar às ginastas as condições ideais de treinamento e competição – da bordadeira dos uniformes à governanta faz-de-tudo do alojamento da Seleção.
Esse conjunto de esforços foi novamente acionado em setembro, visando o principal desafio da equipe neste ano: classificar-se entre as dez melhores seleções durante o Campeonato Mundial – que desta vez serviu também como Pré-Olímpico – e assegurar participação na Olimpíada de 2004. No dia 26 daquele mês, a Seleção Brasileira apresentou-se em Budapeste (Hungria) e, com a 9ª colocação, carimbou o passaporte para Atenas.
Na Olimpíada de 2000, a meta era simplesmente chegar lá. Missão cumprida: em Sydney, a equipe foi à final e terminou na 8ª colocação. Desta vez, pelo otimismo demonstrado pela técnica Bárbara, a meta é mais ambiciosa. Terá a GR nacional amadurecido o bastante para sonhar com o pódio olímpico?
Com a resposta, as nossas mulheres de Atenas.
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