Noticias da Universidade Norte do Paraná - Nº 004 - Dezembro 2003

pág. 20

Fisioterapia

Maturidade Precoce

Alunos aprendem desde cedo como se sentem as pessoas que chegam a terceira idade


A professora – que tem livros e artigos publicados sobre o assunto – lembrou que a população brasileira hoje vive mais, o que significa uma convivência maior com a velhice, associada às alterações físicas e de saúde que o envelhecimento traz. "Daí a importância de oferecer recursos para as pessoas diminuírem as perdas ou lidarem melhor com estas perdas, que acabam interferindo nas condições sociais."
Este processo leva à perda das possibilidades de interação social e, conseqüentemente, a uma condição psicológica negativa. "Não é o envelhecimento em si que produz a condição negativa, mas a forma como a pessoa experimenta este envelhecimento", explica a professora. E uma das melhores formas de experimentá-lo é inserindo a atividade física no dia-a-dia.
Com a autoridade de quem tornou-se uma referência nacional no assunto, Silene Okuma frisa que o sedentarismo é muito negativo para as condições de saúde e acelera as modificações resultantes da idade. "Para diminuir a velocidade da ação do tempo é preciso ativar, estimular o corpo."
Como os exercícios físicos mantêm a funcionalidade dos sistemas e


     
      Idosas participam de aula prática em curso de
      pós-graduação: exercícios diminuem dependência
 

órgãos, eles aumentam a resistência às doenças. Silene Okuma explica que, à medida que nos exercitamos, damos uma reserva funcional ao organismo, permitindo a manutenção de boas condições físicas mesmo no caso de doenças. Pode não parecer, mas um bom sistema imunológico é importante também para manter uma relação saudável com o meio. "O indivíduo, para 'funcionar' no meio social, precisa de um corpo que funcione", ela resume.
Quando se começa a perder as capacidades, vem a condição de aprisionamento, geradora de muito mal-estar e de condições psicológicas negativas. É quando as pessoas passam a assumir o estereótipo de que o idoso é incapaz. "A longevidade ainda é algo novo na nossa sociedade. A caricatura que se faz do idoso ainda é de muita passividade e isolamento. E muitos ainda assumem esta imagem." Segundo Silene, quando o idoso percebe que não é incapaz, muda seus conceitos e passa a ter uma relação positiva com a velhice, de menos dependência dos outros.
Finalmente, a especialista dá um importante recado: "Quem nos mostra que chegamos à velhice é o corpo. É ele que reflete as transformações. Não existe envelhecimento social, e sim físico." Daí a importância de manter o corpo em boas condições.
Ao final do segundo módulo da pós em "Atividade Física, Qualidade de Vida e Envelhecimento", Silene Okuma e o médico geriatra Marcos Cabrera, de Londrina, deram palestra aos alunos do curso de Educação Física. Diante do auditório Alcides Bueno lotado, eles falaram sobre os efeitos da atividade física na saúde do idoso.
De acordo com o coordenador do curso de pós-graduação, Denílson Teixeira, esta é uma área cada vez mais emergente na Educação Física, pela necessidade de manter os idosos ativos e saudáveis.
 

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