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Há pouco
mais de um ano, na Fazenda Experimental da Unopar, em Tamarana (63
quilômetros ao sul de Londrina), foi inaugurado um projeto-modelo de
educação infantil. O Centro Educacional Rural Unopar nasceu
oficialmente em setembro de 2002, resultado de uma parceria da
universidade com a Prefeitura de Tamarana e a Empresa Paranaense de
Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O principal objetivo:
melhorar as condições de vida da comunidade rural.
O Centro Educacional foi concebido com a finalidade de reunir –
nuclearizar, na linguagem acadêmica – as cinco escolas municipais
daquela região, que antes funcionavam separadamente: Escola Vila
Rural, Presidente Bernardes, Cruz da Malta, Ângelo R. Merlo e Raimundo
Correia. O Centro Educacional abriga aproximadamente 160 crianças, do
pré à 4ª série. A nuclearização obedece a uma norma do Ministério da
Educação (MEC), que não mais permite escolas isoladas e multiseriadas.
Na parceria, a Unopar ficou responsável pelas instalações e pelo
trabalho dos estagiários dos cursos de Pedagogia e Odontologia (para
orientação de higiene bucal). A Prefeitura de Tamarana ficou
encarregada do transporte e alimentação dos alunos, dos salários de
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Bolos, doces e
salgados:alimentos nutritivos e
baratos |
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funcionários e professores e materiais didáticos. Já a Emater
encarregou-se dos cursos ministrados junto à comunidade local.
Segundo a diretora do Centro, Rosilda Vanderlei Caetano, os projetos
desenvolvidos pela Emater são criados de acordo com a realidade da
comunidade. "Cada conteúdo é trabalhado envolvendo elementos do
dia-a-dia das famílias, sempre com participação dos pais", ela
destaca. A diretora lembra que o objetivo é resgatar valores da vida
no campo que foram perdidos ao longo do tempo, como forma de
conscientizar toda a comunidade sobre a importância da vida rural.
Rosilda conta ainda que, por ocasião dos cursos da Emater, são
desenvolvidas atividades com os pais, como teatro e apresentação de
trabalhos dos alunos, proporcionando uma convivência prazerosa
entre pais e filhos.
O Centro Educacional funciona em período integral (das 8 às 16 horas),
com atividades como aulas de conto, computação, pesquisa em biblioteca
– montada através do Projeto Biblos, desenvolvido pelo Curso de
Pedagogia da Unopar – e trabalhos na horta. O Centro conta ainda com
cozinha, varandas, setor administrativo e sala de informática.
"Tudo isso diferencia a escola das demais existentes na região. Tanto
que a procura é muito grande", afirma a diretora. "A estrutura foi
construída para 120 alunos, e estamos com 40 a mais. Estamos usando
até o refeitório para dar aulas, somando assim seis salas."
Receitas nutritivas:
uma terapia de grupo
Entre os cursos já administrados pela Unopar no Centro Educacional
Rural, muitos contribuem para a adoção de hábitos mais saudáveis pela
comunidade. Um deles foi administrado em julho pela assistente social
Maria Regina dos Santos, da Emater de Curitiba. Com 20 anos de
experiência em cursos de culinária, Maria Regina ensinou as cerca de
25 mães presentes a usarem sobretudo a criatividade na hora de
preparar o alimento da família. Recuperar receitas tradicionais que
estão meio esquecidas e diversificar a dieta do dia-a-dia com
alimentosmais nutritivos também foram preocupações da assistente
social. Ela ensinou que, sem aderir a ingredientes caros e estranhos
ao meio rural, é possível concentrar minerais e vitaminas à
alimentação diária. Tudo isso sem mudar o sabor ou o tipo de
preparação. Na cozinha do Centro Educacional foram preparadas delícias
como sagu de beterraba, farelo de arroz torrado (ingrediente de várias
receitas, por ser rico em ferro, vitamina B1 e niacina), torta de
talos e folhas, gelatina de batata-doce, arroz com casca de abóbora,
maionese de fubá e farofa com casca de banana. O cardápio foi definido
na hora, a partir dos ingredientes trazidos pelas mães. "Quisemos
mostrar que tudo pode ser aproveitado", disse Maria Regina.
As mães, ainda surpresas com o resultado de algumas combinações,
garantiram que suas famílias iriam comer melhor dali para frente. "Eu
jogava muita coisa fora, como os talos das verduras. Acho que agora
vai dar até para fazer mais economia com os alimentos", afirmou a
dona-de-casa Célia Granado Amorim, garantindo que gostou de tudo o que
foi preparado, mas principalmente da torta de folhas e talos. "Não
imaginava que isso tudo fosse possível. É vivendo e aprendendo..."
A mesma empolgação foi demonstrada por Doroty Aparecida da Costa
Rezende: "Foram usados ingredientes que a gente não imaginava, como as
folhas de batata-doce, abóbora e mandioca." Mãe de cinco filhos e com
uma horta no fundo do quintal, ela também afirmou que, com as
informações que recebeu, a família terá mais opções de alimentação.
Além de ensinar alternativas para se comer melhor,
os cursos ministrados pela assistente social da Emater funcionam como
uma espécie de terapia de grupo. Com formação em sócio-terapia, Maria
Regina explica que nos últimos 10 anos tem percebido que as mulheres
se soltam no ambiente culinário, "principalmente quando trabalham com
as mãos, nas massas". Segundo ela, o exercício estimula as
participantes a se desarmarem, exteriorizando muitos de seus
problemas.
“Não chego ao nível de trabalhar questões psicológicas, mas aproveito
para trabalhar alguma coisa de relacionamento. Na cozinha a gente tem
uma interação maravilhosa", garante Maria Regina. É também no
agradável ambiente culinário que estas mulheres melhoram sua
auto-estima, na medida em que aprendem a importância de preparar bem –
e com sentimento – o alimento da família.
"Já trabalhei até com adolescentes, dando orientação sexual enquanto
fazíamos receitas de biscoitos", conta a assistente social,
reafirmando que no caso do curso ministrado em Tamarana a idéia foi
melhorar o nível de alimentação da comunidade. "Muitos aqui plantam,
colhem e comercializam legumes e verduras, mas não comem.”
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